É quase uma lei da natureza: Na Suíça, tudo começa “voluntariamente” e acaba num monte de formulários com a ameaça de castigo. Porquê? Talvez porque o Estado tenha dominado o mesmo truque de todos os traficantes: a primeira dose é grátis, depois é que se fica viciado. Bem-vindo a um país onde a liberdade é regulada passo a passo. Em jeito de ironia: A Suíça é o verdadeiro inventor da “obrigação rastejante”.
De uma boa ideia a uma compulsão: Os clássicos suíços
- Antiga noção de milícia – hoje compulsão estatal: serviço militar obrigatório com sanções em caso de recusa.
- Imposto sobre o serviço militar – sem serviço? Nesse caso, paga 3% de imposto sobre o rendimento durante um período máximo de 11 anos.
- Seguro de saúde – anteriormente voluntário, desde 1996 obrigatório para todos.
- Taxas de rádio e televisão (Billag/Serafe) – no passado, qualquer pessoa que tivesse um aparelho pagava. Hoje, todas as famílias pagam, mesmo que vivam numa cabana alpina sem eletricidade.
- Escolaridade obrigatória – outrora uma questão familiar, agora obrigatória com multas se os pais não cumprirem.
- Comunicação obrigatória – anteriormente facultativa, agora obrigatória, caso contrário há problemas.
- Número AHV – desde o número de seguro até ao número universal de identificação pessoal.
A segurança em primeiro lugar – a coerção também
- Obrigatoriedade do cinto de segurança no automóvel (1981) – de “seria inteligente” a uma coima.
- Obrigatoriedade do capacete (1981) – inicialmente uma decisão livre, atualmente uma sanção sem capacete.
- Cadeiras para crianças no automóvel – a recomendação tornou-se lei.
- Bombeiros – outrora um trabalho puramente voluntário em muitas comunas, atualmente um dever cívico em muitos cantões: serviço ou contribuição de substituição.
- Obrigações dos proprietários de cães – antes cursos voluntários, depois obrigatórios com taxas.
E a história recente?
- Máscaras obrigatórias (2020) – de “não vale a pena” a “quem quiser pode” a: ponha-as ou vá para casa.
- Certificado Covid (2021) – de “útil para as férias” a “sem ele não há restaurante, nem universidade, nem emprego”.
- IVA (1995) – introduzido a 6,5%, supostamente “pequeno e controlável”, atualmente 8,1% (e a aumentar, e alargado a quase todos os domínios da vida).
- Proibições de álcool e de fumar – outrora um pedido educado, agora com força de lei.
- a 389… a lista poderia continuar.
O padrão é claro:
É sempre a mesma coisa: primeiro sorriem, “tudo voluntário”. Depois vem o dedo indicador levantado, “fortemente recomendado”. E, no fim, a carta do escritório está na caixa, “obrigatório, caso contrário, multa”.
A receita é tão antiga quanto transparente: primeiro a cenoura, depois o pau.
E o E-ID?
Claro que, desta vez, tudo será diferente. Hoje é um bom login para a declaração de impostos, amanhã é a chave da sua conta bancária, depois de amanhã é o pré-requisito para ter um emprego e, a dada altura, vai precisar dele para comprar um bilhete de comboio ou mesmo para ter uma conta. Quem pensa que é “suficientemente bom” e que, por isso, não será bloqueado, deve rever urgentemente os últimos anos.
A certa altura, tudo se torna um dever! Porquê?
Porque o poder nunca pára. Porque as burocracias crescem como ervas daninhas: uma vez semeadas, proliferam. Porque é sempre mais fácil para o Estado impor obrigações do que defender a liberdade. Em suma: a coerção é cómoda – para “os de cima”.
E sinceramente: não podia ao menos usar um autocolante “lá em cima”? Ou um PIN na lapela, para que possamos reconhecer imediatamente quem é? “Olá, sou do escritório e só quero ajudar-vos.” Pelo menos isso seria honesto.
Perguntamo-nos seriamente: qual é o objetivo de tudo isto? A dada altura, não só normalizarão as nossas vidas, como também as nossas camas. Primeiro foi a UE com a famosa normalização dos preservativos. Só para garantir a “segurança”, claro. Depois, as tampas de garrafa que já quase não se conseguem tirar, supostamente por “razões de sustentabilidade”. E depois acabamos por comprar um manual de instruções só para abrir um pacote de leite.
O padrão é sempre o mesmo: primeiro vendem-nos como uma ideia brilhante. Depois, como uma medida de proteção. E quando damos por isso, já é lei. E perguntamos a nós próprios: quando é que a armadilha se fechou exatamente?
Somos tão estúpidos que caímos sempre no mesmo truque e depois fingimos que estamos surpreendidos?





